Oii mamães! Tudo bem?
Hoje vi essa reportagem na Revista Crescer e achei legal compartilhar com vocês. É meio longa, mas vale a pena ler, pode ajudar muito na hora de preparar os pratos para os filhotes.
Por mais que você siga as orientações do pediatra, sempre surge alguma dúvida sobre como alimentar seu filho – ainda mais quando ele não colabora. Confira respostas para os problemas mais comuns que você enfrenta (ou ainda vai ter que lidar)

Comer é um barato, mas nem toda criança acha. Quantas vezes você não sonhou que seu filho provava a salada sem que você implorasse, ou que ele comesse alguns legumes além da batata frita? A gente sabe que fazer uma criança comer dá trabalho, e muito! Não bastasse todas as suas dúvidas, a cada momento aparece uma nova recomendação: se antes bater as primeiras papinhas no liquidificador era regra (pergunte para a sua mãe), em breve, acredite, nem a peneira você vai poder usar. Sim, daqui para frente, papinha só amassada no garfo. Essa recomendação está no próximo guia da Sociedade Brasileira de Pediatria, que foi revisado e será apresentado em maio durante um simpósio internacional, que tem como meta fazer com que seu filho aprenda a comer bem desde cedo, evitando problemas no futuro.
Porém, e quando esses dilemas são o seu presente? O pediatra diz uma coisa, os pais pensam outra e ainda é preciso ouvir a criança. Afinar essa tríade (médico-pais-criança) tem sido a missão do pediatra norte-americano Benny Kerzner, que há décadas se dedica a estudar os problemas alimentares na infância. Ele já fez estudos em diversos países para descobrir os principais problemas que levam uma criança a não comer da maneira esperada, e agora chegou a vez do Brasil. O projeto, a ser iniciado em breve, vai unir pesquisadores de renomadas universidades do país. A meta é avaliar mil famílias. “Um grupo vai ficar com os pediatras, o outro, com os pais, e eu, com as crianças”, afirma Mauro Fisberg, pediatra e nutrólogo, colunista do site da CRESCER e professor da Unifesp, que fará parte do estudo. Com esses dados, será possível informar melhor os pais, determinar diagnósticos e prevenção para cada caso – o tratamento de uma criança que não come nada não pode ser o mesmo da que só petisca – e, assim, oferecer mais ferramentas para os pediatras usarem em consultório.
Por saber que, ao determinar especificamente cada problema fica mais fácil corrigi-los com mudanças de hábito, alguns médicos têm visto com tanto receio a publicação das novas normas da Academia Americana de Psiquiatria em 2013 que vai fazer uma revisão dos transtornos alimentares, inclusive em crianças. “Nosso medo é que questões que poderiam ser resolvidas com um nutricionista e um psicólogo acabem sendo contornadas, desnecessariamente, com medicamentos”, afirma Fisberg. Todos os especialistas ouvidos pela CRESCER são unânimes ao afirmar que o bom hábito alimentar se aprende em casa. Conversamos com especialistas para desvendar os 40 problemas mais comuns – e descomplicar o seu dia a dia.
1. Só de imaginar meu bebê todo sujo de comida tenho arrepios. Tudo bem não deixá-lo mexer na refeição?
Não. Ao tocar o alimento ele sente a textura, o aroma, a consistência, além de ser uma importante etapa do desenvolvimento motor fino. Um estudo britânico, feito com 155 crianças entre 20 meses e 6 anos e meio, mostrou que as que recebem comida de colher (e não tiveram oportunidade de “provar” as refeições com as próprias mãos ou usando um talher) têm mais chances de ser obesas. As que tiveram essa liberdade comiam mais alimentos saudáveis, integrais, carboidratos e proteínas (sim, tudo isso) do que aquelas alimentadas na colher – aliás, essas, mesmo tendo uma dieta balanceada, passaram a preferir alimentos doces.
2. Nada distrai meu filho à mesa, mas ele demora muito para comer. Como tornar a refeição mais rápida?
Essa possibilidade está fora de cogitação, afirmam os especialistas. A regra é: respeite o tempo dele – tentar apressá-lo pode prolongar ainda mais o processo. Claro que seu esforço para estar com ele nesse momento é válido, mas você não vai conseguir aproveitar se estiver com o tempo apertado. Em vez de dar o almoço, tente chegar mais cedo para servir o jantar, ou tome o café da manhã com calma e sem aquela obrigação com o relógio, porque seu filho sente esse estresse.
3. Dei para minha bebê de 4 meses um pedaço de bolacha recheada – e ela adorou. É um bom sinal?
Não. Até os 6 meses a criança só deve provar o leite materno, que tem todos os nutrientes que ela precisa. Inúmeras pesquisas já mostraram que introduzir qualquer alimento antes desse período pode comprometer os hábitos no futuro, e aumentam as chances de a criança ser obesa também. Doces só podem ser dados depois de 1 ano, mas produtos industrializados entram na categoria “quanto mais você puder evitar, melhor”.
4. Posso dar algum remédio ou fórmula para estimular o apetite do meu filho? Ou colocar suplemento no leite?
A resposta para ambos os casos é: não use. Se ele está crescendo e se desenvolvendo bem, não há motivos para fazê-lo comer mais. Algumas vitaminas, quando em excesso no organismo, podem atrapalhar a absorção de outras, como é o caso do zinco com o ferro. Só o pediatra pode recomendar e, mesmo assim, o produto deve ser usado por tempo determinado.
5. Não deixo minha filha de 1 ano comer chocolate nem tomar refrigerante, mas quando vai na casa dos tios… permitem tudo. Como resolver isso sem bancar o chato?
Você pode combinar que esses dois alimentos eles não podem oferecer de jeito nenhum, e diga também que petiscos não substituem as refeições. E ponto. Desapegue das demais “regras” que funcionam na sua casa se essas visitas forem esporádicas porque, em algum momento, seu filho vai ser apresentado a certas guloseimas mesmo. Quando você coloca mil normas para seu filho ficar na casa de alguém, é capaz das pessoas desistirem de passar esse tempo com ele.
6. Em casa, cada um chega em um horário e come em qualquer lugar. Isso é ruim?
É, sim. As refeições em família vão muito além de todo mundo sentar junto para comer. É um momento de troca de olhares, de conversas de como foi o dia (ou das expectativas sobre ele) e também uma oportunidade para você dar o exemplo do que é legal comer. O segundo ponto é o local: a mesa, que precisa fazer parte do ritual das refeições. Quando a criança come sem distrações, ela presta atenção na quantidade que está consumindo e no que está comendo, e esses ensinamentos, que parecem muito básicos, vão servir de guia para a vida toda, e evitar problemas no futuro, como a obesidade. Se é difícil reunir todo mundo, que tal levantarem 15 minutos mais cedo para compartilhar o café da manhã? O ideal é que vocês consigam fazer pelo menos uma refeição por dia juntos.
7. Por que a salada da casa dos outros é mais gostosa?
Por vários motivos: pode ser a apresentação (se eles colocam em potes e usam alimentos que dão um visual supercolorido, fica mais convidativo), porque o colega come, e ele não quer fazer diferente, porque para ele pode ser uma experiência nova (e crianças são muito curiosas), porque eles usam um tempero gostoso e até mesmo porque lá ninguém diz para ele comer, apenas coloca na mesa e espera o resultado. Tente fazer isso na sua casa.
Barcos de alface
Ingredientes: 50 g de peito de frango cozido, 3 colheres (sopa) de milho, 1 cebolinha, 2 colheres (sopa) de maionese, 1 limão-siciliano ou taiti, 4 ou 5 folhas de alface-americana. Preparo: Desfie o frango e coloque em uma tigela. Junte o milho, a cebolinha picada e a maionese. Acrescente o suco do limão e misture. Coloque o recheio em folhas de alface firmes e em forma de barquinhos.
8. Meu filho só come macarrão instantâneo. Posso deixar?
Não. O problema desses macarrões está no tempero do pacotinho, que não tem nutrientes e possui muito glutamato monossódico, uma substância que causa muita retenção de líquidos. Já a massa em si é como qualquer outro macarrão. Comece preparando sem o tempero e colocando um fio de azeite extravirgem no final. O molho de tomates pronto é melhor do que o tempero do pacotinho, mas o feito em casa é o mais saudável. Depois, aos poucos, acrescente outros ingredientes.
Como deixar o macarrão mais nutritivo
• Cozinhe o macarrão cabelinho de anjo e misture miniárvores de brócolis e bolinhas de muçarela de búfala cortados em pedaços.
• Refogue atum e tomate picadinho em um pouco de azeite e misture no macarrão do tipo parafuso.
• Use o próprio macarrão instantâneo e cozinhe em menos água com um pouco de sal. Depois, quebre um ovo e misture levemente. O ovo vai ficar em pedaços grandes e você consegue escorrer a água do mesmo jeito. Acrescente pedacinhos de cenoura e vagem cozidas e use uma pelotinha de manteiga e sal para temperar.
9. Não como verduras nem legumes, e minha filha já está percebendo. O que posso fazer?
É… A partir dos 2 anos vai ser mais difícil “enganá-la”, e ela pode parar de comer porque você não prova. O caminho mais fácil é fazer aquele esforço e comer uma folha de alface ou uma rodela de beterraba – capriche no tempero (veja uma receita abaixo) se o gosto for terrível para você, misture ao arroz, enfim, coma e não faça cara feia. Um estudo francês, realizado com crianças de 5 a 8 anos e adultos, mostrou que os pequenos são influenciados pelas emoções dos outros à mesa. Em outras palavras, fazer aquela cara de preconceito em frente à comida pode ter um impacto maior do que se você falar “salada é gostosa”, ou “você também vai gostar”. Quando você sorri depois de comer, elas ficam com mais vontade de provar. Chamar aquele coleguinha que prova de tudo funciona também, porque criança adora imitar os amigos.
Vinagrete de laranja e manjericão
Ingredientes: raspas de 1/2 casca de laranja, suco de 2 laranjas, 1 colher (sopa) de manjericão fresco, sal a gosto, 4 colheres (sobremesa) de azeite. Preparo: Misture o azeite com o sal, o manjericão, a casca de laranja e, por último, o suco peneirado.
10. Não tenho tempo e não gosto de cozinhar. Posso dar só comida congelada?
Nenhuma comida pronta é tão completa como a preparada na hora, porque alguns nutrientes se perdem no congelamento. Mas é possível ter uma boa alimentação com pratos desse tipo. Prefira as opções mais caseiras às industrializadas comuns de supermercado (por conta da quantidade de gordura e sódio). Escolha empresas que têm cardápios preparados por nutricionistas e fique atento ao prazo de validade. Um jeito de incrementar a refeição é oferecer uma salada de folhas (que você compra limpa no mercado). Cada alimento tem uma duração diferente no freezer mas, em geral, o prato pode ser consumido em até três meses.
11. Dar leite (puro ou com achocolatado) à noite vai deixá-lo obeso? E se eu não adoçar?
Não necessariamente. A obesidade está ligada a diversos outros fatores que atuam em conjunto, como a falta de atividade física e todo o resto da alimentação do dia. Se tudo estiver balanceado, o leite da noite não é problema. Claro que é melhor tomar puro, sem açúcar nem achocolatado. Mas para quem tem a alimentação saudável, colocar uma colher de achocolatado no leite não é nenhum fim do mundo. Só não pode deixar seu filho trocar o jantar ou comer mal por saber que vai tomar esse leite mais tarde – nem dormir sem escovar os dentes!
12. Minha filha de 1 ano e 6 meses não gosta de nada sólido. Bato no liquidificador e assim ela come. Tudo bem?
Infelizmente, não. Ao bater, você perde as fibras dos alimentos, que ajudam o intestino a funcionar melhor. A criança também deixa de aprender a mastigar, o que é importante para o desenvolvimento da musculatura e dos dentes, e não reconhece o sabor dos alimentos. Como não dá para mudar de uma vez, vá aos poucos. Primeiro, deixe a papa mais grossa; depois, amasse com um garfo, aí coloque pedaços até aumentar por completo a consistência. Se em alguma parte do processo ela recusar o prato, pule o almoço, por exemplo, e só permita que ela coma de novo no lanche da tarde. O estresse pode ser grande, sua ansiedade ainda maior, vai levar tempo – e cada criança tem o seu –, mas vai dar certo.
13. Digo que couve-flor é sobremesa, e aí as crianças comem. Está errado?
Não existe uma unanimidade entre os especialistas, mas a maioria não aprova esse truque. Quando seu filho descobrir que está sendo enganado, vai parar de comer, e isso pode abalar a confiança que tem em você. Outros médicos suavizam e dizem que essa é uma mentirinha que não faz mal. De qualquer maneira, se você quiser mudar esse hábito, diga para ele que, dependendo de cada cultura, o alimento é servido de um jeito. O abacate, por exemplo, é servido salgado, e não batido com leite, em vários países.
Abacate salgado, o guacamole
Ingredientes: 1 abacate maduro, 1 tomate sem sementes picado bem miudinho, 1/2 cebola pequena ralada, 1/2 dente de alho amassado, 1 colher (sopa) de suco de limão, sal, cheiro-verde e coentro a gosto. Preparo: Amasse o abacate com um garfo, acrescente a ele os demais ingredientes e sirva gelado com saladas ou para molhar legumes em palito.
14. O único legume que meu filho come é batata – e frita. Como diversificar?
Primeiro, deixe de fazê-la desse modo (além de ser muito calórica, a fritura ajuda a aumentar o colesterol ruim, o LDL, que pode causar problemas cardíacos no futuro, entre outros), mas não diga que é proibido. Ofereça esse mesmo legume de outras maneiras: assado, no purê, na salada, refogado, e passe a servir outras verduras e legumes de maneiras diferentes também.
15. Meus filhos só comem o que for “branco”: pão de fôrma, macarrão, arroz… Como faço para melhorar a alimentação deles?
Pode ser uma fase, mas o primeiro passo é continuar oferecendo outras opções de alimentos. Tente também não comprar e preparar esses pratos por um tempo e substitua por semelhantes, como pão e macarrão integrais. Mas você e toda a família – inclusive irmãos – precisam participar dessa mudança!
16. Meu trabalho é cozinhar “tranqueiras” – faço doces e salgadinhos para fora. Como explico para o meu filho que ele não pode comer só essas coisas?
Você tem que estabelecer limites – e torná-los conhecidos para quem ajuda você nessas tarefas. Fale que esse é o seu trabalho, e que as outras crianças, como ele, comem esse tipo de alimento esporadicamente, em festas, e que tudo bem ele provar uma porção no fim de semana. Mas e se ele fizer aquela carinha de “eu quero muito”? Bom, você pode pensar nesse argumento: donos de lojas de automóveis não deixam seus filhos dirigir, certo? É um exemplo absurdo, mas a ideia é a mesma: proteger seu filho – nesse caso, contra o excesso de peso. Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, de 2010, analisados pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, mostraram que o excesso de peso está aumentando principalmente na faixa etária entre 5 e 9 anos.
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Leite de quê?
Você pode, e deve, incluir leite na alimentação. O líquido branco e seus derivados são a melhor fonte de cálcio para o organismo, essencial para a formação e a manutenção dos ossos. Para se ter uma ideia, entre 7 meses e 2 anos ele deve consumir, em média, quatro porções (120 ml cada uma) diárias; dos 2 aos 3, cinco porções; de 4 a 6 anos, quatro porções maiores, de 180 ml; e após essa idade, três porções – entre o leite in natura e seus derivados. Um pote de iogurte de 100 ml ou quatro fatias finas de queijo tipo muçarela ou prato equivalem a uma porção. Quanto ao tipo de leite, para crianças o recomendado é sempre o integral, salvo orientações médicas. Se a criança está com o peso certo, não precisa tomar leite desnatado ou semidesnatado. O de soja é indicado para alérgicos e intolerantes, mas o ser humano produz as enzimas suficientes para digerir o leite até por volta dos 5 anos de idade e só depois algumas pessoas terão dificuldades na digestão do alimento. Prefira os leites de soja enriquecidos com cálcio. O leite de vaca é o mais comum no mundo todo, mas o de outros animais, como de cabra, de ovelha e de búfala, são alternativas a se tentar para os alérgicos ao leite de vaca, já que as proteínas de cada um são diferentes.
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17. Se de vez em quando eu precisar esconder algo no feijão, por exemplo, para garantir os nutrientes, faz mal?
Não, de vez em quando você pode usar esse truque e acaba valendo para toda a família ter um feijão nutritivo. Mas esse não deve ser o único meio de fazer seu filho comer legumes ou verduras. Elas devem aparecer no prato na maioria das vezes. Vale colocar também o ingrediente na mesma refeição, como na salada.
18. Se ele fizer uma das refeições principais (almoço ou jantar) já está bom?
Não. Seu filho precisa de todas as refeições para crescer e se desenvolver da maneira esperada. Além disso, uma criança mal-alimentada não se concentra na escola e fica irritada facilmente, mostram os estudos. Primeiro organize o horários – ele deve comer a cada três horas –, porque assim vai sentir fome na hora certa. O cardápio fica assim: café da manhã, lanche da manhã, almoço, lanche da tarde, jantar e até uma ceia, que pode ser um copo de leite.
19. Eu como tudo direito, mas o meu marido…
Como faço para o meu filho seguir o meu exemplo e não o dele? É mesmo complicado, porque um pai fica de mocinho e o outro, de bandido. Essa conversa não deve acontecer na frente da criança. Vocês têm que chegar a um acordo – sem essa parceria, alguém vai sair perdendo, e, na maioria das vezes, vai ser seu filho. Por exemplo: se seu marido não pode nem pensar em escarola refogada, mas tolera couve, então, quando ele estiver na mesa, sirva isso. O melhor argumento você já tem: os médicos e as pesquisas não cansam de mostrar que, quanto melhor a alimentação da criança, melhor para o futuro dela, porque aí ela vai conseguir alcançar o máximo de seu potencial.
20. Se minha filha faz bastante exercício, posso deixá-lo comer mais guloseimas?
Não. A questão aqui é que boa alimentação não consiste apenas em pensar no gasto calórico e sim na qualidade do que a criança come.
21. Ele só come se estiver prestando atenção em outra coisa, como a TV ou o computador. É melhor que seja assim do que não comer nada?
Se isso é a regra de todo dia tem problema, e muito. E a tarefa, por mais difícil que pareça, é mudar esse hábito o quanto antes. A criança pequena está na fase de descobrir o mundo, e um prato de comida não é nem de longe tão interessante e desafiador aos olhos dela quanto todas essas coisas. Por isso, o ideal é que no horário das refeições essas distrações não estejam por perto sempre – tudo bem liberá-las uma vez por semana e quebrar a rotina. Aproveite aquele dia em que vocês vão comer pizza ou cachorro-quente para isso. No restante do tempo, faça a mudança aos poucos e tente também tornar esse momento mais especial, comendo junto com ela, convidando-a para cozinhar com você ou até comendo com as mãos de vez em quando. A lambança vale a pena.
22. Ele já cuspiu dez vezes a cenoura. Preparei de todo jeito. Devo desistir?
Depende da idade do seu filho. Para as que estão entre as papinhas iniciais e a idade pré-escolar, a dica é continuar tentando de vez em quando. Nessa fase, as crianças têm mesmo um paladar mais restrito. Mas, com cerca de 6 anos, isso pode ser uma preferência alimentar e deve ser respeitada. Há outros alimentos com os mesmos nutrientes – basta fazer a substituição – e você também pode experimentar oferecer a cenoura misturada no suco de laranja, no bolo (e contar para seu filho depois), ou como petisco, em forma de palitinhos ao longo do dia.
23. Minha filha não come o que mando na lancheira. A professora disse que ela prova a comida dos colegas. O que faço?
Converse com a professora para saber que tipo de lanche é esse: às vezes, os pais desse amigo cortam o alimento de uma maneira diferente ou colocam um recheio incrementado que sua filha adora – aí é só pedir a receita. Já se forem salgadinhos, bolinhos prontos etc., vocês precisam ter uma conversa. Esses produtos são ricos em calorias, sódio e açúcar, e pobres nutricionalmente. Combine que uma vez na semana você vai mandar algum desse tipo, e, nos outros dias, pergunte o que ela gostaria de levar – cortadores divertidos e muitas cores no lanche são truques que podem funcionar. Faça uma receita nutritiva no fim de semana e mande pedaços a mais para ele distribuir para os amigos. E, de vez em quando, coloque um bilhete, com um recado, dentro da lancheira para ele lembrar que você preparou aquilo com muito carinho.
Bolinho de legumes
Ingredientes: 3 ovos inteiros, 1 xícara (chá) de purê de couve-flor e abóbora (basta amassar com um garfo), 4 colheres (sopa) de farinha de trigo, 2 colheres de farinha de aveia integral, 1/2 colher (chá) de sal e 1 colher (chá) de fermento em pó. Preparo:misture todos os ingredientes até incorporá-los bem e coloque a massa em forminhas individuais untadas e enfarinhadas em forno preaquecido por 30 minutos. Rende 20 unidades.
24. Meu filho já está crescido, mas só come com as mãos. Devo deixar?
Tudo tem um limite, e comer só com as mãos também. Pode acontecer em um piquenique ou naquele dia em que você preparou quibe no forno, mas em todas as refeições não é legal. As mãos são chamadas de “vias muito contaminantes” pelos médicos porque criança come mexendo na roupa, no cabelo (e até no pé). Além disso, vai prejudicar o convívio social dela. Imagine como pode ser embaraçoso comer na casa de um amigo? Compre um jogo novo de pratos e talheres e estimule seu filho a usar. Dê o exemplo e elogie quando ele fizer da maneira correta.
25. Quantos ovos posso dar por semana?
Qual o melhor jeito de prepará-los? Considerados grandes vilões do colesterol até pouco tempo, os ovos, fontes de proteína, já não têm mais toda essa fama de maus, e podem ser oferecidos a partir de 6 meses completos. As crianças podem comer até três por semana, com gema e tudo, sem problemas – lembre-se: tem ovo no bolo e em outras preparações, e tudo isso conta. A melhor forma de preparo é cozido ou poché, pois não leva gordura na receita. Depois, os do tipo mexido e omelete feito com pouco óleo e em frigideira antiaderente. Evite o frito e ofereça dessa maneira só ocasionalmente.
26. Meu filho gosta de sabores fortes, que criança normalmente não come, como queijo gorgonzola. Faz mal?
Não faz mal algum. O fato de ele aceitar sabores pouco comuns ao paladar infantil indica uma boa relação da família com a alimentação. O único cuidado deve ser com cada opção. Alguns alimentos, como queijos fortes e patês, costumam conter muito sódio, que faz mal para adultos também. A recomendação é comer em pequenas quantidades e escolher os com menos conservantes, corantes ou sódio.
27. Minha filha não come muito, nem muitas porcarias. Mas está gordinha. Será alguma doença?
A primeira coisa é leva-la para uma avaliação médica. Só o pediatra pode dizer se ela está ou não acima (ou abaixo) do peso ideal. Isso pode ser uma característica genética ou individual e, mais importante que compará-la com outras crianças ou com o que você imagina ser o padrão ideal, é saber se ela vem crescendo sempre no mesmo ritmo e acompanhando o traçado da curva de crescimento, mesmo que para cima ou para baixo. Se ela estiver mesmo mais gordinha do que deveria, vai precisar fazer mais atividade física, já que problemas endócrinos são raros em crianças. Caso haja algum indício, o pediatra recomendará exames.
28. Ele só come peixe se for frito. Vale a pena?
É a única fritura da semana. Aqui os especialistas se dividem. De um lado há os que digam que é importante que a criança tenha contato com peixe de alguma maneira – lembrando que ela deveria comer esse tipo de carne pelo menos três vezes na semana. Outros médicos e nutricionistas defendem que, quando o peixe é frito, perde boa parte de seus nutrientes, como o ômega 3 (que ajuda no desenvolvimento cerebral da criança), fora a gordura que ela vai consumir, e aí não valeria a pena. O ideal é oferecer o peixe de outras maneiras, como assado. Se for fritar, prefira o óleo de arroz, amendoim ou de soja, que têm uma estrutura química diferente e, por isso, suas moléculas demoram mais para ser “transformadas” em gordura saturada, aquela que é nociva para o organismo e aumenta o colesterol ruim, o LDL.
Peixe empanado com gergelim
Ingredientes: 1 filé de pescada, 2 colheres (sopa) de gergelim, alho e sal para temperar. Preparo: Tempere o filé com limão, alho e sal. Coloque o gergelim em um prato e empane o filé. Em uma fôrma antiaderente, coloque o peixe e leve ao forno. Deixe até que ele fique dourado. Cuidado na hora de tirar para a pescada não quebrar.
29. Meu filho só come salada em palitinho molhando no catchup ou na maionese. Posso dar também molho de salada de mercado?
Não. Nem o molho pronto, nem o catchup e a maionese devem ser consumidos frequentemente. Além de serem produtos industrializados, todos têm muito sódio e aditivos químicos.
Molho de erva-doce
Ingredientes: 1 xícara (chá) de limão, 1/2 xícara (chá) de azeite, 1 xícara (chá) de talos e folhas de erva-doce fresca, 1/2 dente de alho, 2 colheres (sopa) de cebolinha verde picada, 2 colheres (sopa) de folhas de manjericão fresco picadas, sal a gosto.Preparo: bata no liquidificador e sirva.
30. Temos uma alimentação saudável, mas, às vezes, dá vontade de sair da rotina. Com que frequência podemos comer algo “trash”?
O ideal é uma vez por semana. Você pode ainda fazer refeições mais divertidas para mudar o dia a dia: em vez de comprar hambúrguer pronto, você pode fazer em casa com carne moída e misturar cenoura ralada no ralo bem fino ou cachorro-quente com kafta (os bolinhos compridos de carne moída à moda árabe).
31. Minha filha come bem, mas no café da manhã ela diz que não tem fome e só aceita leite. Isso é ruim?
Caso ela só tome leite, mas dentro de no máximo uma hora e meia faça o lanche da escola, por exemplo, isso não vai afetar o desenvolvimento e a nutrição dela. Para as crianças que demoram mais para comer de novo ou vão fazer atividade física, é preciso insistir. Estudos têm mostrado que o hábito de não fazer essa refeição aumenta o risco de a criança ter sobrepeso, porque, ao pular o café, ela exagera na seguinte. E ainda prejudica o desempenho escolar, uma vez que ela não consegue se concentrar.
32. Minha filha de 1 ano e 2 meses é do tipo que petisca. Às vezes me pego dando feijão de grão em grão. Ou é assim ou ela fica sem se alimentar.
É melhor mudar esse hábito agora, porque, quando ela crescer, pode ser mais difícil. Há também as crianças que não comem na hora certa e depois os pais preferem dar a comida em qualquer momento que ela peça. Nos dois casos seu filho aprende que pode usar a hora de se alimentar para exercer e impor suas vontades, e se a comida virar moeda de troca ou chantagem, já viu… Invista na rotina como um todo, desde a hora da comida até os horários para tomar banho, brincar e dormir. Além de organizar a vida familiar, todas essas regras fazem com que a criança se sinta mais segura e calma.
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4 alimentos que não podem faltar no prato (e você nem imagina por quê)
Batata-doce: além de ser fonte de energia e substituir carboidratos como as outras batatas, massas e arroz, as do tipo amarela e laranja são ricas em betacaroteno, essencial para o crescimento e desenvolvimento infantil e importante para o funcionamento do sistema imunológico. Que tal fazer um purê? Também ajuda a manter a pele, as mucosas e a visão saudáveis.
Arroz com feijão: quando consumidos juntos, a absorção das proteínas do feijão é mais eficaz. A dobradinha nacional ainda ajuda a prevenir doenças cardiovasculares, pois a fibra do feijão ajuda a controlar o excesso de glicose no sangue que o consumo de arroz sozinho poderia gerar.
Cereja: é um dos únicos alimentos, ao lado da aveia, da cebola e do milho, que possui melatonina, um neurotransmissor que ajuda a regular o sono. Como a aprendizagem é fixada no cérebro durante a hora de dormir, as cerejas são boas para a memória e dão uma forcinha extra para os estudantes.
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33. Ele não come abobrinha e repolho, mas adora outros vegetais. Isso é um problema?
Se ele só não gosta de um tipo de verdura, um tipo de legume, ou um tipo de fruta, mas come outros, não há problema nenhum, é só uma preferência de paladar, que começa a aparecer por volta dos 5 anos. Fale com um nutricionista: o especialista pode dar a você uma lista de alimentos com os mesmos nutrientes e vitaminas dos que seu filho não gosta. Agora, se ele não come nenhum tipo de legume, não importa se ele goste de todas as frutas e verduras que existem no mundo. A alimentação balanceada precisa conter itens de todos os grupos, um não substitui o outro.
34. Somos vegetarianos. Meu filho pode ser também? A partir de que idade?
Os especialistas divergem um pouco sobre a questão da exclusão total de carnes e fontes de proteína animal da dieta infantil. Alguns recomendam que isso não ocorra até o final da fase de crescimento, na adolescência. As carnes são fontes importantes de ferro e de vitamina B12, essencial para a formação e renovação de células e hemácias. Quando a dieta inclui ovos e laticínios é mais fácil obter outras fontes desses nutrientes. Se a restrição a alimentos de origem animal for uma decisão na sua casa, você precisa repor a quantidade de ferro (folhas verde-escuras são ricas nesse nutriente). Consulte um pediatra e um nutricionista para ajudar a compor uma alimentação balanceada.
35. Meu filho come bem com os outros, mas comigo faz manha. Como resolver?
Isso pode acontecer porque seu filho percebeu que a hora da comida aflige você demais e, por isso, tenta ganhar atenção. Para as outras pessoas, esse momento pode ser mais relaxado, e aí ele come. A dica é mudar os seus hábitos em casa. Procure fazer as refeições junto com ele, se possível a família toda, de uma forma que isso seja um momento gostoso. Também não force demais. Se ele não quiser comer, talvez não esteja com fome mesmo. E se for só manha, uma hora vai pedir comida e vai comer o que você oferecer.
36. A gente adora cozinhar com vinho. É prejudicial?
Depende. Durante o cozimento, o álcool evapora, mas esse tipo de preparo não é recomendado para crianças menores de 1 ano, porque elas podem estranhar muito o sabor. Deve ser evitado caso seu filho seja diabético (o vinho é a fermentação do açúcar da fruta) por conta do controle da glicemia. No caso das portadoras de doença celíaca (intolerância ao glúten), não faça preparações que contenham cerveja, conhaque ou uísque. Outra observação: tome cuidado com a quantidade de bebida acrescida ao prato, que não precisa ser grande, e sim só para dar um sabor especial, o que se consegue com 20 ou 30 ml.
37. Ele pode comer só o caldinho do feijão?
Não. O caldo pode até conter uma quantidade de ferro, que previne contra anemia, mas é melhor que ele coma também o grão, pois há nutrientes que não ficam no caldo, como as proteínas. Tente oferecer de maneiras diferentes, como salada de feijão, amassado com um garfo ou a sopa com os grãos batidos. O ferro contribui para a formação de glóbulos vermelhos e transporta oxigênio para as células de todo o corpo, dando a energia que seu filho precisa para brincar, crescer e se desenvolver. Quando não há ferro suficiente no organismo, a criança fica indisposta e se cansa facilmente.
38. A hora da refeição é um caos, e obrigo minha filha a comer. Isso faz mal?
Pode funcionar na hora, mas não é uma boa ideia porque ela pode criar uma relação ruim com a hora de comer. Um estudo britânico mostrou que obrigar a criança a comer tudo pode ter o efeito inverso, ou seja, despertar nela uma aversão à comida e, com isso, fazer com que coma menos. Analise o que está impedindo que ela tenha uma boa refeição. Falta de rotina, beliscar entre as refeições ou qualquer outra coisa que distraia a alimentação da criança na hora da refeição (televisão ligada, brinquedos, etc.) podem contribuir para o caos.
39. Posso colocar açúcar para ele comer frutas?
Não. A tentativa de facilitar a ingestão de um alimento adicionando açúcar é o que os especialistas chamariam de “tiro no pé”. A criança se acostuma, mas tentar reverter depois é difícil. Se você já tem esse hábito, comece a mudar colocando aos poucos menos açúcar até retirar completamente. Para que ele se acostume a comer, ofereça primeiro as frutas mais doces e sempre maduras, como banana e uva, e só depois parta para as mais ácidas, como morango. Os sucos naturais – sem açúcar – são saudáveis, mas em geral não têm as fibras presentes na fruta in natura e são mais calóricos, por precisarem de muitas unidades por copo. Quanto aos sucos de caixinha, inclusive os de soja, melhor deixá-los para um lanche fora de casa, já que os naturais, mesmo em garrafa térmica, não duram muito mais que uma hora e meia sem perder as propriedades e correm o risco de azedar. Prefira os sem adição de açúcar e com menos conservantes.
40. Meu filho adora cozinhar comigo, mas na hora de comer não tem jeito, não quer. O que faço?
Insista, tente de novo, tenha paciência. Pergunte que tipo de comida ele quer ajudar você a fazer. Invista também na apresentação do prato. E pense que você já tem meio caminho andado, que é ele sentir prazer em estar perto dos alimentos.
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Estratégias de chef
A diretora de arte Fanae Aaron, que tinha muitas dúvidas sobre a melhor maneira de fazer com que seu filho Cody, 5 anos, adorasse comida, entrevistou 20 chefs premiados que são pais também. O resultado está no recém-lançadoWhat Chefs Feed Their Kids (Como os Chefs Alimentam Seus Filhos, em tradução livre), sem previsão para ser publicado no Brasil. Confira uma série de dicas, por idade, do livro:
6 meses a 1 ano
Coloque ervas naturais, como tomilho, além da cebola e do alho, no preparo, porque comida de criança não tem que ser sem graça.
Permita que seu filho sinta o cheiro do que você está cozinhando. Ele aprende os aromas que você mais gosta – e é um convite para ele comer.
Deixe que ele brinque com colheres e panelas; assim, vai aprender como usá-las.
1 a 2 anos e meio
Deixe seu filho provar ingredientes nada usuais, nem que seja a primeira vez que você vai comer também, como lagosta e ostra.
Quando estiver comprando, cozinhando ou servindo a comida, fale, sempre, o nome de cada ingrediente para que seu filho aprenda a identificar cada um.
Se for algo novo, diga para o seu filho “prove, se você não gostar, pode cuspir”. E cumpra sua promessa.
Permita que ele escolha o que você vai preparar, nem que seja uma vez por semana. Nessa fase, que eles se sentem mais independentes, ter essa autonomia funciona como um estímulo para comer.
2 anos e meio a 5
Leve seu filho a restaurantes que tenham um menu diferente daqueles “para crianças”. Assim, a filha de um dos chefs aprendeu a gostar de carne de cordeiro.
Dê um nome muito legal para o prato que você vai servir: “Olha o pterodáctilo com batatas mais pedido do papai”.
Envolva a história da sua família. “O seu avô adorava comer torta de amora quando tinha sua idade”.
Não coloque o que você quer que ele coma na frente dele. Aquele espaço a criança gosta de controlar. Sirva tudo no centro da mesa.
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FONTES: Revista Crescer / Carolina Torres Testa, nutricionista da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo; Cláudia Lobo, nutricionista, especializada em educação infantil, autora do livro Comida de Criança – Ajude seu Filho a se Alimentar Bem Sempre (MG Editores); Cozinhar É Divertido, Ed. PubliFolha, Débora Gejer, pediatra do Hospital Sírio-Libanês (SP); Elaine Pádua, nutricionista, autora do livro O Que Tem no Prato do Seu Filho? – Um Guia Prático de Nutrição Para os Pais (Alles Trade); Fabio Ancona Lopez, pediatra nutrólogo e professor aposentado do Departamento de Pediatria e Nutrologia da Unifesp; Hellen Coelho, nutricionista, doutora em saúde pública pela USP e chefe da Divisão de Nutrição da Prefeitura de Cajamar (SP); Isa Jorge, nutricionista especializada em nutrição clínica pediátrica, da equipe das creches e pré-escolas da Coseas/USP; Larissa Cohen, nutricionista do Espaço Stella Torreão (RJ); Rita de Cássia Leite Novais, nutricionista da Consultoria Alimentar (SP); Martha Paschoa Amodio, nutricionista e fundadora da consultoria Comer e Aprender (SP); Mauro Fisberg, pediatra e nutrólogo, professor do Departamento de Pediatria da Universidade Federal de São Paulo; Tereza Cristina de Senna, nutricionista da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo; Virgínia Weffort, presidente do Departamento Científico de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria e professora da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (Uberaba-MG)